domingo, 3 de julho de 2016

Meditando...


Interrompa o que você estiver fazendo por um instante! Pare o que você estiver pensando por um minuto! Você está bem?
E se eu pedir agora para você prestar atenção (simplesmente prestar atenção) na sua respiração? Sem interferir no ato involuntário de respirar. E agora? 
Conseguiria silenciar sua mente por um momento? Prestar atenção no seu corpo?  Bem, se você conseguiu fazer pelo menos uma das coisas sugeridas, deu um passo importante em direção a arte de meditar.
E por que meditar? Esta é a pergunta.
O dia-a-dia de um cirurgião-dentista, só nós é que sabemos como é... ou melhor, nós e nossos familiares que  percebem nossa chegada em casa abatidos, cansados, sempre conectados a algum acontecimento, alguma preocupação que envolve nossa maravilhosa, porém desgastante profissão. E o que fazer?
Aí é preciso esvaziar. Aí é preciso aquietar e dar um mergulho dentro de nós mesmos.
Nos voltarmos para dentro, e buscarmos o equilíbrio necessário.
Na verdade, somos preparados desde o início de nossa vida a produzir, a darmos o melhor de nós mesmos, vencer! Isto acaba tendo um preço, que na maioria das vezes é alto, pois pode custar a nossa própria saúde. Saúde que precisamos promover, sem acabar com a nossa, de preferência.
Segundo um sacerdote taoísta que conheci, meditar é esvaziar a mente dos pensamentos, dos desejos, das expectativas, dos conceitos e pré-conceitos, dos julgamentos e apegos... esvaziar o coração das mágoas, angustias, revoltas, traumas e sofrimentos, ansiedades e frustrações
Difícil? Talvez, mas é preciso tentar. É preciso começar e recomeçar se preciso.
Segundo Osho, nossa mente é tagarela. Não queremos pensar nas coisas, em nossas obsessões, mas tudo continua lá, repetindo, repetindo, repetindo.
A Meditação não precisa estar necessariamente ligada a uma religião, a uma crença. É acima de tudo um estilo de vida. É uma prática pessoal que pode ser aprendida com um professor ou pela prática, sozinhos, com livros por exemplo.
Existem inúmeras técnicas, diversas maneiras de praticar. Tradicionalmente ela está ligada ao taoísmo, ao budismo, ao hinduísmo, mas como já foi dito, o caráter religioso não precisa estar presente, porém devemos buscar nesta viagem interior entrar em contato com nossa espiritualidade, ou seja, nos relacionarmos com algo que vai além de nós, das nossas circunstancias, dando um sentido maior para nossa existência, e isto pode ser alcançado pela religião, pela música, pela arte ou em valores e princípios, dentro de um pensamento, de uma intenção elevada.
Se procurarmos em um site de busca a palavra “meditação”, encontraremos nada mais nada menos do que 1.970.000 resultados! Para “meditação e saúde” os resultados atingem 712.000. Nada mal. Experimente fazer o mesmo para no Medline ou na Bireme. É surpreendente. Pesquisa-se cada vez mais o tema.
Alguns pontos em comum sobre as distintas técnicas e modo de meditar: respiração, relaxamento, ritmo e às vezes sons estabilizadores (mantras, por exemplo).  
Devemos escolher um local adequado (preferencialmente sempre o mesmo, (mas não necessariamente), assim como um horário mais ou menos fixo que pode ser pela manhã cedinho, ou antes de dormir ou quem sabe entre uma consulta e outra...que tal?
Existem técnicas que preconizam um tempo entre 7 a 10 minutos, mas não existe um consenso sobre isto, assim como o número de vezes por dia que deve ser praticada.
A postura deve ser confortável, sentada numa poltrona ou cadeira ou sob uma almofada, com as costas apoiadas e retas e sem tensão.
Meditar deve ser uma oportunidade de brincar, de compartilhar consigo mesmo de um momento de paz e alegria, experimentado o desapego, a não necessidade de termos o poder, de nos renovarmos e conseguirmos naturalmente o aumento do nosso potencial e vislumbrarmos a nossa capacidade intuitiva se aflorar.
Experimente. Vale à pena.  E lembre-se:
 “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho” Mahatma Gandhi.
Helio Sampaio Filho 
Cirurgião Dentista, Acupunturista e Homeopata e meditante.