segunda-feira, 13 de maio de 2013

O que você sempre quis saber sobre Anestesia Odontológica....mas não teve oportunidade de perguntar



 

Uma coisa que deveria ser comemorada é a invenção da Anestesia Odontológica.

O que? Você não gosta de ser anestesiado?

Muitos alegam ter medo da picada, da dor etc... , mas veja, é graças a ela que procedimentos são realizados sem dor, e não o contrário, não é mesmo?

Sempre quando alguém me fala que “mooooorre” de medo da agulha, digo que, na verdade, a “picada” da agulha é indolor. O que causa alguma aflição (e não necessariamente dor) é a injeção (deposição) do líquido anestésico no interior dos tecidos.

Para driblar este incomodo, o dentista deve injetar o liquido quase que “gota a gota”, bem lentamente, para não distender muito rápido os tecidos, o que aí sim, causa dor.

Curiosidades

O cirurgião dentista é de longe o profissional que mais aplica anestesias por dia e o que mais domina as técnicas de anestesia local.

Conta simples: Somos 250.517 Cirurgiões Dentistas cadastrados no Conselho Federal de Odontologia – CFO - (http://cfo.org.br/servicos-e-consultas/Dados-estatisticos/?elemento=profissionais&categoria=CD&cro=Todos&municipio=)

Se cada profissional aplicar duas anestesias/dia teríamos mais de 500.000 anestesias em um único dia!!

Só no Estado de São Paulo estão inscritos 78.882 !

 Usei números modestos para a quantidade aplicada, mas façam as contas de quantas por mês, por ano, etc...

Só comparando: a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (médica) tem inscritos aproximadamente 9000 sócios! Provavelmente eles acabam usando com mais frequência as técnicas de anestesia geral...

Voltando para o tema...

 Sei que é desagradável ficar privado da sensibilidade às vezes por horas, após o término do tratamento. Duas, três, quatro horas, pode nos dar a sensação de ter perdido o controle da nossa vida ou quase isso, não é assim ?

Aí sempre vem a pergunta: Por que não inventam uma “anti-anestesia” tipo: aplicar outra medicação pra “cortar o efeito” ? Seria demais não é mesmo?

Não é tão simples. O bloqueio de uma terminação nervosa é um processo químico que envolve, em linhas gerais, um sal anestésico e um agente vasoconstritor (para que a anestesia fique mais tempo para podermos trabalhar com segurança, para usarmos menos anestésico, que sempre possui um grau de toxicidade e para haver menos sangramento, etc...).

 Sem vaso constritor, mais anestésico e mais toxicidade para o seu fígado processar e os Rins eliminarem. Sendo assim, qualquer tentativa química para resolver este “incomodo” acabaria se tornando um problema maior.

Pelo próprio conceito, anestesia é o bloqueio reversível da condução do estímulo nervoso, com o intuito de promover perda temporária de qualquer sensibilidade na região submetida à técnica anestésica. Vamos então aguardar umas horinhas que é mais seguro.
 

Está ansioso? Não tenha medo de perguntar ao profissional que vai lhe aplicar a anestesia. Não há constrangimento algum, muito pelo contrário...

Por exemplo; quanto tempo vai durar esta sensação? Na maior parte dos casos em média duas horas, podendo ser um pouco mais, até 4 ou 5 horas dependendo da suscetibilidade do paciente, da técnica utilizada ou do tipo de anestésico (se tem ou não vaso constritor, que prolonga mais o efeito por exemplo)

Quantos “tubinhos” (tubetes) podem ser usados com segurança em cada procedimento?

A quantidade máxima é estabelecida através de duas variáveis: a quantidade de sal (anestésico) de cada droga contida no tubete X peso do paciente e existem tabelas fornecidas pelo fabricante.

Na média, imaginando um paciente jovem pesando entre 50 e 60 kilos podemos usar entre 5 e 6 tubetes com segurança.

As agulhas usadas são descartáveis? SIM! Existe determinação da ANVISA neste sentido. As agulhas são feitas em aço, muito finas, com uma parte - na ponta - em forma de bizel para penetrar nos tecidos sem trauma e de modo indolor e, pelo custo atual e riscos de contaminação, nada justifica não usarmos agulhas descartáveis.

Por que o dentista dá uns “puxões” na minha bochecha para aplicar a anestesia?

Sabe-se que o ideal é levar a gengiva mucosa (ligada a bochecha), de encontro a agulha e não ao contrário. Distendendo a mucosa é mais fácil a penetração e fica mais indolor.

Há possibilidade de haver reação alérgica ao anestésico?

O nosso organismo é exposto continuamente a diversas substancias estranhas ao mesmo e que, de modo geral, consegue desenvolver uma tolerância através do sistema imunológico que acaba não desencadeando uma reação alérgica verdadeira.

Com os agentes anestésicos ocorre o mesmo, e o que mais pode acontecer é uma reação de hipersensibilidade.

O mais comum em termos de complicações é a ocorrência de uma sensação de mal-estar, náuseas, tonturas, sensação de sufocação, vermelhidão facial e até mesmo desmaios (lipotimia), que não estão relacionadas a reações alérgicas propriamente ditas e que estão ligadas ou à super-dosagem ou a fatores emocionais.

 As reações alérgicas verdadeiras são raras e as reações anafiláticas mais ainda. O comum nestes casos é o aparecimento de pruridos, urticaria e outras reações dérmicas. Tudo isto pode e deve ser prevenido com uma anamnese bem dirigida, em que levantamos o histórico do individuo avaliando seu histórico.

Mais perguntas? Escreva que a gente vai respondendo, OK?