sexta-feira, 19 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Reflexões de um Zentista

  Não sei se pela minha declarada admiração pela cultura Oriental, ou pelo meu visual que talvez faça lembrar um monge (só no visual, vamos deixar claro!) o fato é que uma paciente, com um humor fantástico, começou a me chamar de Zentista.
Achei e ainda acho graça na colocação dela, mas o fato me leva a algumas reflexões sobre minha profissão de como os pacientes nos vêem através de gestos, atitudes, atuações, posturas, vestuário, enfim...
Afinal, o que é ser Zen?
Em um artigo interessante achado na Internet em um site de buscas, um autor (Alex Castro) questionava em 2011: “ Ser Zen ou Praticar Zen?”.
Para ele, falar sobre zen é a coisa menos zen do mundo e continua ...
“...O zen é uma prática. Não é algo em que se acredita, nem algo com que se concorda: é algo que se pratica. Desse modo, pode-se dizer que a premissa filosófica ou espiritual que une os praticantes de zen é simplesmente o fato de quererem praticar o zen...”. Em resumo ninguém“é” ou deveria ser zen e sim praticar o zen.
Não existe um manual ou dicas de como “ser” zen, mas um mestre zen poderia sugerir, para quem quiser praticar ou conhecer um pouco melhor:
Ser ativo, atento,  concentrado
Fazer uma coisa de cada vez
Concentrar-se totalmente no que se está fazendo
Respirar, respirar e ....respirar! E ter consciência desta respiração, consciência da postura do corpo, das coisas e pessoas que o rodeiam.
Ao falar e escrever, usar palavras de carinho, respeito, atenção...   
e por aí vai...
 Como ensina um pensamento zen: “Não há nada de errado em sentirmos raiva, tristeza, paixão, inveja... É humano. Só não devemos deixar que as emoções nos dominem e nos impeçam de fazer, aquilo que estamos fazendo.
Ganhei certa vez um livro (coisa de mais de 20 anos atrás) chamado “ A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” de Eugen Herrigel.Vale a leitura, não como livro de auto-ajuda, mas como um livro não ficcional que conta o aprendizado do autor que viveu no Japão e que através da prática da arte do arco e flecha, mostra, pela visão ocidental, importantes questões sobre o zen-budismo. Em determinado trecho ele escreve "Arco e flecha são, por assim dizer, nada mais do que pretextos para vivenciar algo que também poderia ocorrer sem eles...” e ainda o homem é um ser pensante, mas suas grandes obras se realizam quando não pensa e não calcula. Pensar sem pensar!”.OK, se você  chegou até aqui deve estar se perguntando: e aí? O que tudo isto tem a ver com a proposta, a fala inicial? Com Odontologia ? Dentista? Paciente? Paciência? Gongos? Incensos? Meditação? Tudo e nada, dentro do mais precioso enigma zen. Creio que devemos mesmo praticar alguns ensinamentos úteis já listados e notar como isto pode fazer  toda a diferença! Como exerecer uma atividade qualquer com serenidade, dedicação, com amor, tentando dar o melhor que pudermos sempre, nos realiza, nos torna pessoas melhores. Como ensina Tarthang Tulku “Trabalhar de bom grado, com toda a nossa energia e entusiasmo, é o modo que temos de contribuir para a vida. Trabalhar desta forma significa trabalhar com habilidade.”
Com todas as dificuldades e atitudes viciosas e padronizadas do dia a dia, é bom sempre praticar estes ensinamentos. No trânsito, no consultório,no escritório, em casa, em qualquer lugar, e se esforçar , insistir e lutar para ser um profissional melhor, uma pessoa melhor, na busca do sonhado equilíbrio e  ciente de que às vezes pode ser frustrante quando temos a percepção de não ter atingido metas, que algo pode  não ter saído como se desejava que saísse, mas dentro desta linha de pensamento procurar não deixar o sentimento nos sequestrar e seguir em frente.
Zentista? Acho que não, embora o apelido seja carinhoso, mas gostaria realmente de continuar a me aprimorar e proporcionar o melhor para mim e para todos
O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre seu trabalho e seu lazer, entre sua educação e sua recreação. Ele deixa para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Acha que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo”. Provérbio Zen